Uma viagem a Reims, a capital do champanhe

Quer tomar champanhe em… Champagne, na França? Você precisa então conhecer Reims. A cidade, que fica a 130 km ao norte de Paris, é o epicentro de Champagne, região que reúne todas as maisons que produzem a preciosa bebida. Ali você vai visitar as produtoras – são mais de 70 marcas –, conhecer como o champanhe é feito e armazenado e degustar a bebida ao final. Mas Reims vai além disso: a pequena e linda cidade ficou conhecida como o local onde todos os reis da França foram consagrados, e sua catedral é uma das mais belas do país. Vamos a um roteirinho?

O ponto mais importante da cidade é a Catedral de Notre-Dame de Reims (à esq.) A imponente construção medieval (começou a ser erguida em 1211) abrigou todas as coroações dos reis da França, sobreviveu a incêndios, à invasão inglesa, à Revolução Francesa e à I Guerra Mundial – quando os alemães dizimaram a edificação para arrasar com o orgulho dos franceses. Aliás, dentro da catedral há uma série de painéis com fotos e ilustrações contando sua gloriosa história. Até Joana D’Arc passou por ali, como figura central da coroação de Carlos VII, 1, 1429. Não deixe de admirar os vitrais e as cores que eles projetam sobre a estrutura gótica da igreja.

Logo ao lado da catedral fica o Palácio de Tau (foto na abertura desse post), uma antiga edificação em forma de T, “tau” no alfabeto grego. O palácio arcebispal funcionava como a residência dos membros da corte nas cerimônias de coroação dos reis. Ali aconteciam também as festas e banquetes reais. Hoje, além do acervo histórico (tapeçaria, esculturas, relicários e o famoso talismã de Carlos Magno), o palácio abriga exposições temporárias: tive a sorte de pegar uma que mostrava peças, quadros e adereços das coroações, manto e a coroa de Carlos X, inclusive pedaços das carruagens reais). No fim do passeio, vale dar uma volta na loja de souvenires: tem até livro de receitas medievais.

Reims é pequena (180 mil habitantes), encantadora e mais barata do que Paris. Como tudo é meio perto e plano, vale a pena caminhar para conhecer os arredores. E dá até pra fazer um bate-volta de Paris (as passagens custam ao redor de 60 euros e podem ser compradas no site da TGV). Saindo a pé da estação de trem, você chega ao calçadão principal em menos de 5 minutos – e ali estão restaurantes, bares, farmácias e serviços variados Mas se quiser passar mais de um dia, há hotéis ótimos, com preços bem mais em conta do que os da capital francesa.

Carrossel Venetian em Reims

As refeições são outra atração em Reims. Uma dica é almoçar na Place du Forum, uma chamorsa praça com o contorno todo arborizado, onde estão as mesas de alguns restaurantes que ficam do outro lado da rua. Como o Edgard Bistrot, que serve uma variedade de tartares, hambúrgueres, magret de pato e, é claro, vinhos e champanhe em garrafa – tudo com um preço amigável. Para uma sobremesa incrível, caminhe até a doceria Waïda ef Fils. O decór remete ao ínicio do século passado e da cozinha saem éclairs, macarons e tortas, como a Normanda, com figos, creme e framboesas Se quiser jantar em um restaurante super tradicional francês, a dica é a Brasserie Excelsior, uma antiga mansão próxima à estação ferroviária, onde se servem clássicos da culinária francesa, com diversas opções de menus fechados e, obviamente, champanhe

Mas nenhuma atração em Champagne bate as visitas às maisons produtoras da bebida mais famosa da região. São mais de 70 marcas em Reims e arredores. Você pode conhecer qualquer uma, basta agendar a visita com antecedência (veja a lista completa aqui). Uma das mais conhecidas, a Möet & Chandon, nem fica exatamente em Reims, mas em Épernay, a cerca de 30 km de lá. Na cidade mesmo, vale conhecer a Taittinger. A marca existe desde 1734 e é umas das mais visitadas da região (7.000 visitantes/ano). As caves da Maison Taittinger, onde são guardados os cuvées especiais, se espalham por 4 km de galerias de giz escavadas pelos romanos, chamadas de Crayères. As vantagens? Essa rocha calcária mantém naturalmente a umidade e a baixa temperatura (entre 8º C e 10º C) ambientes, ou seja, condições extremamente favoráveis à conservação do champanhe. A visita de uma hora começa com um filminho, contando a história da marca, passa pelas caves cada vez mais profundas (estamos falando de 20, 30 metros abaixo do nível da terra) e acaba com uma degustação de um a três rótulos da marca.

Outra Maison que vale a visita é justamente a mais antiga da região: a Ruinart foi a primeira casa de champanhe de Reims, fundada em 1729 por Nicolas Ruinart, um comerciante de tecidos. Ele era sobrinho de um monge beneditino, Dom Thierry Ruinart, que trouxe para a família a técnica de fazer o champanhe, aprendia com outro monge, Dom Perignon (o próprio). Nos primeiros anos, Nicolas usava as garrafas de champanhe para presentear seus melhores clientes de tecidos. Quando notou que os pedidos da bebida superavam os de tecido, trocou de negócio.

A Ruinart também guarda seus vinhos nas crayères. Aliás, tem nada menos que 8 km de galerias subterrâneas, que descem a quase 40 metros abaixo do solo. A visita é encantadora: um intricado labirinto branco, cheio de escadarias, inscrições nas pedras, saídas de ar titânicas, saídas sepultadas e, claro, milhares e milhares de garrafas de champanhe Ruinart. Praticamente um tesouro, aliás, já que os champanhes da Ruinart não são vendidos em qualquer loja, nem na França – e o preço é bastante superior à média. Pudera: o rótulo Dom Ruinart Blanc de Blancs Millesime Brut, por exemplo, é feito apenas com uvas chardonnay grand cru e envelhecido por no mínimo 10 anos. A visita também é mais cara que a média das outras maisons, mas vale pelo valor histórico – e pelo champanhe.

Cave da Maison Ruinart

Fotos: Shutterstock

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